A Coca-Cola estava certa

É de praxe que, conforme vamos ficando mais velhos, a gente fique mais cínico, uma palavra bonita para dizer “ranzina e reclamão”. Talvez pela descoberta que Papai Noel não existe (ou que a nossa família é mentirosa o suficiente para elaborar uma intrincada estratégia para não desvendarmos que, debaixo da roupa de Papai Noel, está um adulto qualquer, gordo, suando as bicas e louco para sair dali e se regozijar com os quitutes da ceia natalina), acabamos aceitando que as forças do bem neste mundo são subjugadas por forças malignas (tipo Hitler e o Imposto de Renda) ou forças sarcásticas (abraço, motoristas de ônibus).

Mas daí vem a Coca-Cola, representante essencial do capitalismo, da visão de que cada pessoa é uma nota de 50 reais em potencial, e despeja um vídeo cheio de ursinhos de pelúcia, com crianças cantando uma música do Oasis (o que é irônico, já que, nos anos 90, a Coca processou o Oasis por plágio de um de seus jingles), estatísticas otimistas e tal, e faz todo mundo chorar. Um posicionamento de marca perfeito, oferecendo a nós, cínicos, descrentes, um minuto e meio de esperança de que talvez as coisas estejam melhores. Uma jogada sensacional de marketing, nada além disso, é o que eu poderia dizer…

… se a Coca-Cola não estivesse certa.

Vamos lá. Papai Noel é um conceito abstrato, um arquétipo natalino gordo e barbudo que existe apenas no nosso imaginário. Nesse caso, a ideia do Papai Noel, a propagação desse ideal solidário e caridoso, é a existência do Papai Noel em si. A mentira perpetrada por nossas famílias deixa de ser mentira, pois, nem que seja por 20 minutos, aquele adulto impaciente e com bafo de cerveja foi o Papai Noel. A campanha das cartinhas dos correios é o Papai Noel. As crianças estão recebendo seus presentes, das mais altas elites até as instituições de caridade mais humildes, com o auxílio de milhares de pessoas que querem manter a ideia do bom velhinho viva.

Assim, se milhares de pessoas lutam para manter viva essa crença na mágica, na solidariedade, talvez não sejamos assim tão cínicos. Pelo contrário, talvez estejamos melhorando. Mais projetos ambientais, sociais, estão surgindo. A arte toma as ruas. Designers trabalham para ajudar a desarmar minas terrestres. Pessoas recebem estrangeiros desconhecidos nos sofás de casa, de braços abertos. O mundo ficou menor, brasileiros, franceses, americanos, alemães, e falo de pessoas fora do plano diplomático, agora são amigos. O universo está tão bonzinho que até deu uma Libertadores pro Corinthians, vejam só.

A internet é fonte inesgotável disso tudo que acabo de falar. E, só para deixar vocês aos prantos, coloco abaixo dois vídeos que ilustram bem a situação. E agora com licença que vou tomar uma Coca-Cola.

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