Manifesto anti-Facebook

Eu nunca gostei muito do Facebook. Não por questões filosóficas ou ideologias internéticas; apenas porque eu achava ele um pouco, bem, um pouco repartição pública: vinha um monte de informações quaisquer, sem organização, sem se preocupar com o que realmente interessa o cara, e, naquela que talvez seja a característica definitiva de uma repartição pública, tinha muita gente. E nem dá pra dizer que isso é fruto de uma alergia a qualquer rede social, uma vez que eu sempre mantive uma conta ativa no Twitter e, claro, no Orkut (injustamente atacado por pessoas metidas a elitistas que hoje o degrinem, mas, em um passado não muito distante, se esbaldavam com scrapbooks e emoticons).

Claro que muitos problemas o Facebook corrigiu, e, ao menos em termos visuais, hoje já é um site bem mais pegável. Mas continua evocando aquela sensação de “não era”. Porque o brinquedinho de Mark Zuckerberg é fácil demais, confortável demais: não precisa de nenhum esforço pensante para compartilhar algo, para dizer que você gostou de algo ou para encontrar conteúdo. Digo, a navegação na internet sempre foi algo caótico, aleatório, no sentido de que existiam milhares de oportunidades e o usuário é quem definia as que mais o interessavam. No Facebook, ao contrário, é um algoritmo que vai definindo o que mostrar pro cara, o que é relevante ou não. É aquela ideia geral de que você vai gostar do que seus amigos gostam, limitando assim as infinitas possibilidades do universo internético ao seu círculo social – que provavelmente inclui pessoas com uma gigantesca compulsão por fotos de gatinhos (todo círculo social tem compulsão por fotos de gatinhos). Basicamente, é como trocar uma biblioteca de tudo por uma imagem do Rufus, aquele gato angorá da sua melhor amiga que todo mundo acha “olha que bonitinho!” mesmo quando rasga sua bermuda porque não quer sair do seu colo, deitado em algum lugar peculiar (tipo uma máquina de lavar roupa).

Ou seja, por incrível que pareça, toda a facilidade disponibilizada pelo tio Zuckerberg é prejudicial, já que resume opiniões e ideias e esforços em botões com um polegar pra cima – tenho uma teoria de que o Twitter possui muito mais coisa interessante porque limita os posts a 140 caracteres, o que torna mais difícil compartilhar algo, o que exige que a pessoa pense ao menos um pouco no que vai compartilhar, o que acaba evitando posts superficiais e correntes que amaldiçoam a vida sexual dos usuários. Parece meio paradoxal, eu sei, mas a “dificuldade” acaba se tornando uma espécie de filtro para o conteúdo. Se eu puder apenas apertar um botão e compartilhar algo na íntegra, são grandes as chances de que eu faça isso de forma alucinada e desprovida de critérios.

Citando uma das obras filosóficas mais importantes do nosso tempo (O Parque dos Dinossauros): “seus cientistas estavam tão empolgados com o fato de que podiam fazer aquilo que nem pensaram se deveriam fazer aquilo”. Estamos tão maravilhados com as marcações de fotos e as fazendas no Farmville que nem paramos para pensar em como isso nos afeta, se esse tipo de filosofia não está nos deixando cada vez mais em uma zona de conforto, nos isolando de ideias que confrontam as nossas. Dizem que uma mente que se abre a uma ideia jamais volta ao seu tamanho original (uma daquelas frases que sempre são atribuídas a Einstein, Chaplin ou Rihanna). O único problema é que, apesar dos botões de “compartilhar” e “curtir” no Facebook, eu não vejo ali em lugar nenhum o verbo “abrir”.

 

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